Acho que pela primeira vez na vida estou tendo que vender diretamente, sem ter o crachá de uma marca forte no peito.

Nossa, como isso é difícil!

Lembro de quando recebia contatos de fornecedores por e-mail ou LinkedIn e, confesso, nem sempre respondia, pela correria do dia a dia. Hoje, do outro lado da mesa, meu olhar mudou completamente. Se eu pudesse, responderia todos os contatos, mesmo que com atraso.

Trabalhei em marcas como Nestlé e Coca-Cola e posso dizer: dentro dessas estruturas, muita gente não abre espaço para conhecer novas soluções ou fornecedores. Às vezes, por falta de tempo; outras, simplesmente por desinteresse em ouvir novas propostas. No fim, o dinheiro não é da pessoa, mas da empresa – e, mesmo que a solução seja melhor, mais barata ou inovadora, o salário continua o mesmo.

Sem a pressão direta de economizar ou ganhar agilidade, muitos colaboradores não enxergam valor em buscar soluções mais eficientes e acessíveis. Agora percebo o quanto isso pode ser frustrante para quem tenta apresentar algo novo e relevante.

Sem o tal do crachá, me sinto uma péssima vendedora – mas também aluna de um curso intensivo sobre humildade versus arrogância, oportunidade versus desinteresse, status quo versus inovação.

Se eu pudesse voltar atrás, faria algumas coisas diferentes:

  1. Leria todos os e-mails com empatia. Hoje, alguém é desconhecido; amanhã, pode ser você precisando ser ouvido. A solução pode realmente ser boa, então por que não ouvir ativamente?
  2. O que parece irrelevante hoje pode reduzir custos amanhã. Ignorar pode sair caro. Ser pioneiro na adoção de algo novo envolve riscos, mas também pode representar uma grande oportunidade.
  3. Se não houvesse tempo para responder com profundidade, ao menos devolveria com gentileza. Um simples “Obrigado, por enquanto não” já faz diferença. Ser respondido importa.

 

Saber lidar com a rejeição é essencial para empreender.

Na vida corporativa, especialmente em grandes empresas, o nome da companhia ameniza a rejeição. É raro alguém simplesmente ignorar você ou dar um “não” seco. Mas, sem o crachá, as portas se fecham o tempo todo.

Lidar com a rejeição faz parte do processo. O autoconhecimento ajuda a separar o “não” profissional do valor pessoal – pelo menos na maior parte do tempo. Ainda assim, há dias em que é mais fácil absorver e outros em que a indiferença – e, muitas vezes, a rispidez – pesam mais.

Afinal, somos vendedores, mas também somos humanos. E há dias emocionalmente mais difíceis para lidar com a rejeição.

Para vocês terem uma ideia, esta semana fui rejeitada em uma feira de inovação. Cancelaram minha inscrição porque eu “não tinha o perfil do evento”. E desde quando existe cartilha para participar de um evento de inovação?

Tudo isso é reflexo da falta do crachá. Hoje. Amanhã, meu negócio pode ser grande, e me lembrarei dessas portas na cara sem a menor empatia.

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