A pandemia terminou há cerca de três anos. E, olhando para trás, me pego pensando: o que realmente mudou desde então?
Naquele período, eu tinha uma chefe que sempre se mostrava cética quando surgiam textos e discursos sobre o tal “novo normal”. Enquanto muita gente afirmava que os hábitos adquiridos durante a pandemia ficariam para sempre, ela dizia o contrário: que, assim que tudo passasse, as pessoas voltariam à rotina de antes.
Na época, confesso que achei aquilo quase absurdo. Como poderíamos viver tudo o que vivemos e simplesmente voltar ao ponto de partida? Pois bem, anos depois, percebo que ela tinha razão. O ser humano tende a buscar a vida que conhecia antes de uma crise — justamente porque gostava daquela versão de mundo.
Hoje vemos os eventos lotados, o turismo em alta, a vida ao ar livre e as academias ainda mais movimentadas. O “novo normal” talvez nunca tenha existido. O que tivemos foi uma pausa. E depois, um retorno ainda mais intenso ao que sempre fomos.
Para mim, serviu como reflexão e inclusive atribuo à pandemia a minha decisão final de mudar de vida: voltar para Goiânia, sair da Nestlé, virar empreendedora… mas sei que para a grande maioria e falando em hábitos, tudo permanece igual.