Não sei se vocês sabem, mas durante muito tempo minha trajetória profissional foi em trade marketing. Eu já tinha passado por praticamente todas as grandes categorias da Nestlé nessa área, mas queria migrar para o marketing. Achei que faria mais sentido movimentar internamente e comecei a articular essa transição dentro da própria empresa.

Foi então que um ex-chefe, alguém que inclusive era próximo de mim, me disse que, no máximo, eu poderia começar em algo pequeno, em uma outra marca menor na empresa. Naquele momento, aquilo me desmotivou profundamente. Não apenas pelo “não”, mas pela mensagem por trás: a de que depois de tantos anos de carreira, eu já não poderia recomeçar em outra área, aprender algo novo, achar alguém que apostasse em mim, mesmo eu não sendo tecnicamente a mais adequada para aquela posição, no início.

Mesmo assim, continuei tentando. Dei alguns passos para trás e fui para uma posição de marketing que, na prática, ainda tinha um escopo muito parecido com trade marketing, numa categoria menor, com menos visibilidade, mas uma oportunidade de estar em Marketing (mesmo depois eu percebendo que ali não era marketing). Cuidava de lançamentos, tinha responsabilidades estratégicas, mas não tinha contato com o que eu buscava: branding, posicionamento, estratégia. 

Anos depois, veio a oportunidade de construir uma marca do zero com a Bemgloria. Foi consequência de uma reunião inusitada em que a Cibele me convidou para mergulhar nesse desafio. Aprendi fazendo => o melhor tipo de aprendizado que existe, na minha visão. Ali aprendi e exercitei tudo o que queria ter feito lá atrás, mas com liberdade, parceria e com propósito. Nesse processo, entendi o quanto aquele conselho estava redondamente equivocado.

Não é somente a experiência na área que define se você vai dar conta. É a sua disposição de aprender, sua capacidade de escutar, construir, errar, melhorar, pensar com profundidade e ter coragem para se reinventar. E talvez um asset importante que eu tinha e ele não valorizou: eu entendia de negócio e construção de marca é sobre construir negócios.

Esse post é sobre como ninguém pode limitar onde você quer estar ou chegar quando você realmente QUER. 

Se eu tivesse seguido aquele conselho, não estaria agora, em julho, comemorando os dois anos da marca que eu ajudei a colocar no mundo: a Bemgloria!

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