Que conselho você daria para você mesma, 15 ou 20 anos atrás? Esses dias, gravando conteúdos com a minha sócia, ela me fez essa pergunta — e ela ficou ecoando em mim.
A resposta veio rápido: ter mais calma. Pensar com mais estratégia nos meus passos profissionais, alinhando eles com a vida que eu realmente queria viver. Essa reflexão me fez lembrar de outros amigos e amigas que viveram — e/ou ainda vivem — algo parecido. Ir no loop, sem parar (ou ter tempo) para pensar no que realmente faz sentido.
Com 24 anos, me mudei para São Paulo. Fui sem emprego, sem contatos. Só com a coragem e a certeza de que lá era o lugar com mais oportunidades profissionais. E foi mesmo. Mas, com o tempo, percebi que São Paulo te suga — e você nem sente de imediato. Quando percebe, anos se passaram.
A cidade acelerada se misturava ao meu ritmo interno: intenso, comprometido, sedento por reconhecimento. E isso me movia. O problema? Eu vivia para trabalhar.
Durante quase 20 anos, corri. Aprendi muito, cresci demais, sou profundamente grata. Mas poderia ter feito tudo com mais equilíbrio. Ter me permitido mais:
Hoje vejo outras gerações — e outras realidades — e aprendo que o trabalho não precisa (nem deve) ser tudo. Sim, ele dignifica. Sim, ele traz propósito. Mas viver só para ele não é viver por inteiro. Se você mora em uma cidade que te drena, que recompensa a exaustão, que aplaude a produtividade sem pausas — essa reflexão é pra você.
Faça uma aula de canto. Vá ao teatro. Marque aquele café. Tire férias. Ligue pra quem você ama. Tenha tempo, de qualidade, primeiro com você e depois com quem você ama e que te ama.
O trabalho é parte da vida. Mas não pode ser toda ela. Aqui fala uma pessoa que ama trabalhar, produzir, aprender, mas que, somente agora, percebe que investiu tempo demais correndo sem saber pra onde e, só hoje, revendo o que mais, além de trabalhar, eu gosto de fazer.
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