Acho que pela primeira vez na vida estou tendo que vender diretamente, sem ter o crachá de uma marca forte no peito.
Nossa, como isso é difícil!
Lembro de quando recebia contatos de fornecedores por e-mail ou LinkedIn e, confesso, nem sempre respondia, pela correria do dia a dia. Hoje, do outro lado da mesa, meu olhar mudou completamente. Se eu pudesse, responderia todos os contatos, mesmo que com atraso.
Trabalhei em marcas como Nestlé e Coca-Cola e posso dizer: dentro dessas estruturas, muita gente não abre espaço para conhecer novas soluções ou fornecedores. Às vezes, por falta de tempo; outras, simplesmente por desinteresse em ouvir novas propostas. No fim, o dinheiro não é da pessoa, mas da empresa – e, mesmo que a solução seja melhor, mais barata ou inovadora, o salário continua o mesmo.
Sem a pressão direta de economizar ou ganhar agilidade, muitos colaboradores não enxergam valor em buscar soluções mais eficientes e acessíveis. Agora percebo o quanto isso pode ser frustrante para quem tenta apresentar algo novo e relevante.
Sem o tal do crachá, me sinto uma péssima vendedora – mas também aluna de um curso intensivo sobre humildade versus arrogância, oportunidade versus desinteresse, status quo versus inovação.
Se eu pudesse voltar atrás, faria algumas coisas diferentes:
Saber lidar com a rejeição é essencial para empreender.
Na vida corporativa, especialmente em grandes empresas, o nome da companhia ameniza a rejeição. É raro alguém simplesmente ignorar você ou dar um “não” seco. Mas, sem o crachá, as portas se fecham o tempo todo.
Lidar com a rejeição faz parte do processo. O autoconhecimento ajuda a separar o “não” profissional do valor pessoal – pelo menos na maior parte do tempo. Ainda assim, há dias em que é mais fácil absorver e outros em que a indiferença – e, muitas vezes, a rispidez – pesam mais.
Afinal, somos vendedores, mas também somos humanos. E há dias emocionalmente mais difíceis para lidar com a rejeição.
Para vocês terem uma ideia, esta semana fui rejeitada em uma feira de inovação. Cancelaram minha inscrição porque eu “não tinha o perfil do evento”. E desde quando existe cartilha para participar de um evento de inovação?
Tudo isso é reflexo da falta do crachá. Hoje. Amanhã, meu negócio pode ser grande, e me lembrarei dessas portas na cara sem a menor empatia.
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